Proxies

Log de atividade em contas de anúncio: o que registrar de verdade

Quem abriu o perfil, quem convidou, quem trocou o proxy. O que o log da agência precisa registrar de verdade — e o que nunca entra em texto.

LauthAtualizado em 17 ago 20269 min de leitura

O cliente pergunta quem mexeu na campanha ontem às 21h. O coordenador abre o Slack. Três pessoas “acham”. Uma jura que não entrou. Outra estava de plantão mas “só olhou”. A plataforma mostra alteração sem o nome da agência, só o usuário compartilhado. Sem log interno, a resposta é palpite. Palpite não fecha reunião, não fecha jurídico e não fecha saída. Log de atividade em conta de anúncio não é SIEM de banco. É o mínimo que uma agência de publicidade precisa para saber quem abriu o quê.

Registrar de verdade é escolher poucos eventos e guardá-los com dono. Registrar demais é planilha que ninguém abre. Este texto lista o que entra, o que não entra, e como usar o histórico sem transformar a mesa em delegacia.

O que o cliente realmente pergunta

Quase nunca pergunta o user-agent. Pergunta quatro coisas.

Quem publicou. Quem pausou. Quem viu dado que não deveria. Quem ainda tem acesso depois de sair.

Se o seu log não responde essas quatro, ele está otimizado para o demo da ferramenta, não para a operação. Comece pelas quatro. Só então acrescente vaidade.

A plataforma responde uma fatia: histórico de campanha, usuário da BM, horário do Ads Manager. Essa fatia quebra quando o usuário é compartilhado, quando a ação foi no browser da agência e não no painel, quando o evento é convite de perfil, troca de proxy ou export de cookie. A plataforma não viu. A agência precisa ter visto.

Os eventos que valem vinte minutos de reconstrução

Log demais ninguém lê. A regra de corte: se o coordenador não reconstruir o incidente em vinte minutos com essa linha, a linha não deveria existir.

Abertura de perfil. Pessoa, perfil, horário, de onde (assento, máquina se houver). É o evento mais básico. Sem ele, “eu não entrei” não tem contraprova.

Convite e revogação. Quem entrou no perfil, com que papel, quem tirou. Sem isso, a saída do gestor vira memória. Memória falha na sexta à tarde.

Troca de proxy. IP, tipo, geo, sticky, quem mudou, por quê em uma linha. Proxy de produção alterado no sábado é incidente clássico. Sem log, vira “o plantão mexeu no básico”.

Export e import de cookie. Quem, qual perfil, quando. Cookie é sessão. Export é cópia de sessão. Tratar como detalhe técnico é como tratar chave da sala como papelaria.

Criação e arquivamento de perfil. Nascimento e morte da identidade no browser. Perfil zumbi com proxy pago aparece aqui.

Incidente declarado. Ban, checkpoint, e-mail na conta errada, criativo no cliente vizinho, lance sem dono. Uma linha, um dono, um horário. O postmortem vem depois. O carimbo vem na hora.

Isso cabe no histórico de atividades da operação. Não precisa de agente no sistema. Precisa de ferramenta que não deixe o evento só no chat.

O que não entra no log — de propósito

Senha. Token. Cookie cru. Código de 2FA. Print de cartão. CSV de audiência com dado pessoal além do necessário. Conversa de RH.

O log aponta o evento. Não publica o segredo. Time que cola cookie no histórico “para debug” transformou o log em cofre invertido. Quem tem permissão de ver o log passa a ter a sessão. O papel de ver vira admin sem querer.

Tampouco entra opinião. “Fulano estava nervoso.” “A campanha estava ruim.” Fato operacional. O resto é reunião.

Não entre cada clique de lance. A plataforma já guarda. Duplicar o Ads Manager no log da agência gera ruído e briga de fonte. A agência registra o ambiente e o acesso. A plataforma registra a mídia. Quando os dois divergem, o coordenador tem o que comparar. Quando só um existe, o coordenador tem fé.

Histórico de atividades: o nome certo do objeto

Chame de histórico de atividades se for o log da equipe no browser: abrir perfil, convite, proxy, export. Não chame de “auditoria completa”, “compliance” ou “prova de que não vai banir”. O objeto é humilde. Humilde sobrevive ao jurídico. Oráculo não sobrevive ao primeiro falso positivo.

Na prática da mesa, esse histórico vive na ferramenta em que o perfil já está. Se vive no Notion, alguém esquece de preencher. Se vive no WhatsApp, some no scroll. Se vive só na plataforma de ads, falta o eixo do browser.

O Lauth guarda esse recorte — abrir perfil, convite, proxy — precisamente porque é o recorte que a agência usa na segunda-feira. Não substitui o log da BM. Não substitui o SIEM da empresa, se a empresa tiver um. Completa o buraco entre “quem logou no Google” e “quem mexeu no anúncio”.

Quem vê o histórico é admin e head. Operar não precisa da lista inteira. Ver, menos ainda. Log aberto para o time todo vira entretenimento. Recorte por papel, como em permissões por papel na agência.

Fontes que se misturam e mentem

Três fontes, três verdades parciais.

Plataforma. Alteração de campanha, usuário do painel, às vezes IP. Mentira clássica: usuário compartilhado. Cinco gestores, um e-mail, o log da Meta “prova” que o e-mail mexeu. Não prova a pessoa.

Browser da agência. Quem abriu o perfil. Mentira clássica: assento compartilhado. Se dois operadores usam o mesmo login da ferramenta, o histórico mente igual. Assento por pessoa não é luxo.

Infra. VPN, SSO, notebook. Mentira clássica: home office com máquina pessoal fora do SSO. O TI jura que ninguém entrou. A BM foi aberta no Chrome da casa.

A reconstrução adulta cruza as três sem fingir que uma basta. Incidente grave puxa as três. Incidente de segunda-feira puxa browser + plataforma. Não monte um SOC para pausa de lance.

Como usar na reunião sem virar polícia

O histórico entra na reunião de incidente, na saída e na pergunta do cliente. Não entra no daily como ranking de quem mais abriu perfil.

Pergunta boa: “quem era o dono às 21h e o que o log mostra?”. Pergunta ruim: “por que você abriu três vezes?”. A primeira reconstrói. A segunda ensina o time a esconder.

Quando o log mostra abertura e a pessoa diz que não, você tem um fato para investigar: assento compartilhado, máquina emprestada, mentira, bug. Investigue. Não sentencie no Slack.

Quando o log não mostra abertura e a plataforma mostra alteração, você tem usuário compartilhado na BM ou ação fora do perfil. Isso é achado de procedimento, não de caráter.

Guarde o recorte do incidente junto do ticket. Não peça ao time que “lembre o ID do evento”. O futuro você agradece.

Retenção, LGPD e o jurídico na porta

Log de acesso é dado de pessoa: nome, horário, ação. Não é dado de anúncio. O jurídico da agência precisa saber que existe, por quanto tempo, quem vê, com que base.

Não invente prazo neste artigo. Invente a conversa. Meses, não horas. Disputa de contrato chega tarde. Saída tardia também. Apagar na sexta porque o CSV ficou pesado é autossabotagem.

Dado de audiência do cliente não deveria estar neste log. Se estiver, você misturou operação de acesso com operação de mídia. Separe. Minimização não é slogan. É recorte de coluna.

Cliente pode pedir quem viu a conta. O contrato deveria prever. Sem contrato, você ainda precisa da resposta operacional. O log é a resposta. A ausência de log é a resposta também, só que pior.

Reconstrução: um incidente, três linhas

Exemplo que a mesa já viveu. Sábado, 21h14. Gasto dispara. Segunda, o cliente pergunta quem pausou o conjunto errado.

Sem log interno: o grupo acha que foi o plantão. O plantão jura que só olhou o cliente A. A plataforma mostra o e-mail compartilhado midia@agencia às 21h16. Cinco pessoas têm esse e-mail. A reunião dura uma hora e termina em “vamos tomar mais cuidado”.

Com histórico de atividades: abertura do perfil marca-leste-meta às 21h12, assento da plantonista. Sem abertura do perfil marca-norte-meta. A plataforma mostra alteração na Norte no usuário compartilhado. Conclusão em vinte minutos: a alteração na Norte não passou pelo perfil da agência. Ou foi o cliente, ou foi o Chrome da casa, ou foi o e-mail compartilhado aberto noutro browser. O procedimento que muda é o e-mail compartilhado e o plantão fora do perfil. Não é o caráter da plantonista.

Três linhas bastaram: abertura, não-abertura, divergência com a plataforma. Esse é o padrão de ouro. Se o seu log não permite esse cruzamento, ele ainda é vaidade.

Falso positivo, assento compartilhado e o log que mente

O histórico mente quando duas pessoas usam o mesmo assento. Mente quando o perfil fica aberto na máquina do escritório e o estagiário senta. Mente quando o export de cookie vive numa pasta e alguém importa noutro notebook.

Antes de acusar, pergunte: o assento é único? A máquina é da pessoa? Houve export recente? Se uma resposta for não, o log é pista, não sentença.

Correção: assento por pessoa. Bloqueio de sessão ao trocar de operador na mesma máquina. Export só com papel de admin, registrado. Sem isso, você comprou a ferramenta e manteve o Chrome único com UI de auditoria.

Exportar o log para o jurídico — e o que não exportar

Disputa chega. O jurídico pede “tudo que o fulano fez”. Você não despeja o banco. Você recorta: pessoa, intervalo, identidades do contrato, eventos dos seis tipos. CSV ou PDF com data de extração. Quem extraiu. Por quê.

Não exporte cookie. Não exporte senha que alguém colou na nota contra o procedimento. Se a nota tem segredo, isso é outro incidente, tratado à parte, não anexado ao primeiro.

O cliente pode receber o recorte que o contrato prevê: quem acessou a conta dele, quando. Não recebe o log dos outros anunciantes. Minimização de novo. Log multi-cliente num único arquivo é o grupo do WhatsApp com timestamp.

Último acesso não substitui esse recorte. Serve para achar perfil zumbi. Não responde “quem mexeu ontem”. Quem trata last-seen como auditoria vai à reunião com um horário e sem pessoa. A pessoa está no evento de abertura. O last-seen está no perfil. São colunas diferentes. As duas entram no inventário. Só uma responde o cliente irritado.

Implantação: uma semana, não um programa

Dia um: ligue o histórico na ferramenta que já abre o perfil. Confira se abertura e convite aparecem.

Dia dois: proíba senha e cookie no campo de nota. Escreva a regra no procedimento em cinco linhas.

Dia três: nomeie quem lê. Admin e head. Não o grupo geral.

Dia quatro: use num caso real — pausa fora de hora, saída de gente, pergunta de cliente. Se não serviu, o evento errado está ligado.

Dia cinco: desligue o ruído. Clique de lance, heartbeat, “usuário online”. Ruído mata adoção.

Se a ferramenta não guarda, a planilha ganha uma aba de eventos, preenchida no dia, com os seis tipos acima. Frágil. Melhor que o vazio. A planilha morre quando a ferramenta nasce. Não nasça ferramenta e planilha para sempre: alguém preenche a errada.

Log de verdade é chato, curto e suficiente. O cliente pergunta quem mexeu. Você responde horário e pessoa. O resto é conversa. Sem o chato, a conversa é palpite. Palpite não é operação.

FAQ

Perguntas frequentes

Não. Tela cheia não se lê. Evento com pessoa, objeto e hora se lê. Abrir perfil, convite, proxy, export. O resto é ruído que mata a ferramenta em duas semanas.

Basta para o que a plataforma viu. Não basta para o que a agência fez no browser: quem abriu o perfil, de qual máquina, com qual proxy, se exportou cookie. São eixos diferentes. Auditoria de agência precisa dos dois.

Não. O log aponta o evento. Não publica o segredo. Cookie cru, token e senha em texto transformam o histórico em cofre invertido: todo mundo que vê o log vê o acesso.

O suficiente para disputa de contrato e para saída tardia. Na prática, meses, não 48 horas. Converse com o jurídico. Não jogue fora no fim do sprint porque o arquivo ficou grande.

Só se o uso for caça a clique. Uso adulto é reconstruir incidente, responder cliente e fechar saída. Sem log, a polícia informal é o achismo no grupo. Achismo é pior.

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