- Entrega e devolução são o mesmo rito, em sentidos opostos
- Inventário do que existe — antes de revogar
- Checklist de entrega (fim de contrato)
- Checklist de devolução (início — o cliente entrega à agência)
- Histórico para disputa
- O que não fazer no calor do distrato
- Relatório, criativo e o que o portfólio pode levar
- Fatura residual, cartão e o mês 13
- Quando a próxima agência chega no meio
- Aceite e o silêncio do cliente
- E-mail de recuperação e o domínio da casa
- Fechar o contrato no ops, não só no financeiro
O último mês do contrato é quando a agência lembra que a BM “é do cliente”. Até ali, o time era admin, o pixel estava no e-mail da casa, o 2FA no celular do gestor, o cartão “só para não atrasar”. Na sexta do distrato, alguém pergunta quem devolve o quê. Ninguém tem lista. A campanha continua no ar. O acesso também.
Entrega de conta — e a devolução no sentido inverso, quando a agência assume — é a saída do contrato. Não é e-mail com senha. A página de agência de publicidade fala de relação comercial. Este texto é o checklist operacional: o que revogar, o que devolver, o que guardar para disputa, e o que nunca viaja no último PDF.
Entrega e devolução são o mesmo rito, em sentidos opostos
Devolução (cliente → agência, no início): o anunciante entrega acessos para a mesa operar. A entrada do cliente de tráfego pago cobre inventário, pixel e dono. Sem esse rito, a entrega no fim não tem o que desfazer.
Entrega (agência → cliente, no fim): a mesa devolve controle. Revoga o próprio time. Garante que o cliente (ou a próxima agência) é admin. Corta proxy pago pela casa. Arquiva perfil. Exporta o que o contrato manda — relatório, não cookie.
Os dois momentos falham pelo mesmo motivo: identidade misturada. Pixel da agência no anunciante. MCC da casa com a conta do cliente pendurada. Cartão da agência. Perfil de browser que só existia no Chrome do gestor. No fim, “devolver a conta” vira desembaralhar um grafo que o comercial nunca nomeou.
Trate os dois como projeto com data, dono interno e aceite do lado de lá. Kickoff de saída na agenda, não no último áudio.
Inventário do que existe — antes de revogar
Você não revoga o que não listou. Na semana do aviso, abra as seis colunas: cliente, identidade, plataforma, perfil, proxy, dono. Some o que a entrada do cliente esqueceu: e-mail de recuperação, cartão, pixel, CAPI, catálogo, público, BM secundária, página, WhatsApp Business, Analytics, Merchant Center, tag manager.
Marque, para cada item: quem é o admin titular hoje; se a agência é único admin; se o login é e-mail do cliente ou da casa; se o 2FA está em aparelho da mesa.
Único admin da agência é o item vermelho. Convide o cliente (ou o e-mail que o contrato apontar) antes de revogar o time. Ordem inversa derruba a conta no sábado e vira processo.
Perfil de browser da operação não se “entrega”. Arquiva. A próxima agência não herda o Chrome da anterior. Herda acesso de plataforma, pixel documentado, criativo se o contrato permitir. O texto de troca de agência e migração de ativos detalha o lado de quem chega. Quem sai não manda cookie zipado “para facilitar”. Cookie zipado é sessão, não gentileza.
Checklist de entrega (fim de contrato)
Use como lista viva. Data e responsável em cada linha.
- Aceite de saída. E-mail ou termo: data de corte de mídia, data de corte de acesso, quem assume admin. Sem aceite, o cliente alega que a campanha “morreu sem aviso”.
- Admin titular. Cliente (ou nova agência) com papel de admin em BM, MCC, Analytics, Shopify, Seller. Print ou export de usuários. Convite aceito, não só enviado.
- Revogação do time. Todos os e-mails da agência, parceiros, freelancers, estagiários. Inclua o e-mail pessoal que “era só para o 2FA”.
- Sessão. Invalide. Perfil arquivado. Cookie de máquina pessoal não é “depois a gente pede para deslogar”.
- 2FA. Sai do celular da mesa. Cliente configura o próprio. Agência não fica de backup eterno de SMS.
- Pagamento. Cartão ou PIX da agência sai. Fatura residual combinada por escrito. Conta que continua no cartão da casa depois do distrato é contrato que não acabou.
- Pixel, CAPI, tag. Dono documentado. Se o pixel era da agência, migração planejada — não corte seco no meio da conversão sem aviso. Se era do cliente, a mesa só revoga quem não deveria ver o dataset.
- Públicos e catálogos. Titularidade. Export só se o contrato e a plataforma autorizarem. Não baixe a base “para o portfólio”.
- Criativo e drive. O que é do cliente volta. O que é método interno da agência fica. Naming de pasta no Drive não substitui cláusula.
- Proxy e perfil. Corta rota paga pela agência. Arquiva o perfil. Não reutilize o mesmo ambiente no cliente seguinte.
- Relatório final. Gasto, período, contas. Número que os dois lados reconhecem. Não substitui o log de acesso.
- Grupos. Slack, WhatsApp, e-mail de lista. Remoção depois da revogação nas plataformas.
Quem assina o checklist internamente: ops, não só o atendimento. Atendimento sozinho esquece o Merchant Center.
Checklist de devolução (início — o cliente entrega à agência)
Espelho, para não receber o caos que você odia devolver.
- Lista de identidades e plataformas. O que não está na lista não é escopo.
- Admin da agência com papel limitado no início, se o risco for alto; admin pleno só com aceite.
- Agência não vira único admin sem cláusula. Cliente mantém um titular.
- Pixel e pagamento já no nome do anunciante. Cartão da agência só com regra escrita e data de troca.
- 2FA em cofre da operação ou no titular do cliente, não no WhatsApp do comercial.
- Perfil novo da operação. Não herdar o Chrome da agência anterior.
- Inventário assinado. Sem isso, a entrega futura não tem baseline.
Devolução malfeita é entrega impossível daqui a onze meses.
Histórico para disputa
Cliente bravo no fim alega: gasto depois do corte; campanha pausada sem aviso; alguém da agência ainda dentro. Sem registro, a agência alega o contrário. Juiz e plataforma não lêem o WhatsApp com carinho.
O que guardar, no prazo que o jurídico fixar:
Eventos de convite e revogação, com data. Quem abriu perfil na última janela. Export de usuários das plataformas na data do corte. E-mail de aceite de saída. Relatório de gasto do período. Incidente aberto.
O histórico de atividades do Lauth — abrir perfil, convite, proxy — entra como evidência de acesso da mesa, não como prova de desempenho de mídia. Não prova que o CPA era justo. Prova se o estagiário ainda estava dentro na quarta. Para disputa de “vocês mexeram depois”, isso é o eixo.
Não guarde senha em texto, cookie cru, base de audiência além do necessário. Evidência de acesso não é backup da vida do anunciante. Minimização também é entrega.
Se a ferramenta não guarda log, o e-mail de revogação com lista de usuários vira o artefato. Feio. Melhor que zero.
O que não fazer no calor do distrato
Não nasça MCC ou BM gêmea “para o cliente não ficar na mão” no mesmo ambiente, mesmo cartão, mesmo pixel. Isso é grafo, não cortesia.
Não recuse devolver admin porque há fatura em aberto. Cobrança é cobrança. Conta de anúncio é ativo do cliente na maior parte dos contratos. Segurar acesso como garantia é o jeito de virar processo e, de quebra, de alguém pausar campanha por despeito — ou parecer que pausou.
Não entregue o perfil de browser. Entregue acesso de plataforma.
Não some do Slack no dia e deixe a campanha no ar com o cartão da agência. Corte tem data. Os dois lados sabem.
Não use o time de mídia como correio de senha. Ops executa a lista. Atendimento comunica. Misturar os dois no último dia gera senha no e-mail e admin esquecido.
Relatório, criativo e o que o portfólio pode levar
A agência quer case. O cliente quer a conta inteira de volta. O contrato deveria ter dito o quê.
Número agregado de mídia, com autorização, pode ir para o portfólio. Login, cookie, export de público, criativo com pessoa reconhecível sem cessão: não. Drive da agência com pasta do cliente: separe o que é método interno (planilha de naming, checklist do time) do que é asset do anunciante (filme, foto, copy aprovada). No dia da entrega, a pasta certa vai embora. A errada fica. Misturar as duas o trimestre inteiro torna o último dia um inventário impossível.
E-mail de “segue o acesso” com senha em texto é evidência contra você em disputa de vazamento. Convite e revogação são evidência a favor. Escolha o artefato.
Fatura residual, cartão e o mês 13
O distrato é dia 10. A campanha rodou até o dia 10. O cartão da agência fecha no dia 15. Alguém paga o intervalo. Combine por escrito antes do corte de mídia. Entrega sem acerto de faturamento deixa a conta viva no método da casa — o item 6 do checklist falhou mesmo com a BM devolvida.
Crédito de mídia, cupom, saldo: titularidade. Não assuma que “é da agência porque a gente operou”. Muitas vezes é do anunciante. Jurídico. Uma linha no aceite de saída.
Quando a próxima agência chega no meio
Três pontas, um calendário. Cliente autoriza. Casa lista usuários e pixels. Nova agência entra com perfil novo, não com o Chrome exportado da casa. Janela de admin duplo: curta, nomeada, quem publica até que hora. Depois, só a nova. A casa arquiva. Log do período permanece no prazo de retenção.
Se a nova pede cookie: não. Se pede print de estrutura de campanha: o contrato decide. Se pede senha do e-mail de recuperação da casa: esse e-mail não deveria ser o da recuperação. Troque antes, na devolução do início, para não chegar aqui.
Aceite e o silêncio do cliente
Cliente some. Convite de admin expira. A agência continua única dona. Trinta dias depois, a conta mexe e a narrativa é “a agência não saiu”.
Protocolo: convite, prazo escrito, segundo aviso, registro de silêncio. Depois disso, com o jurídico, corte de mídia e de acesso mesmo assim — ou escopo residual pago. O que não existe é limbo eterno com a BM no Chrome da casa.
Nova agência no meio: três pontas. Cliente autoriza a entrada, a casa sai, a nova entra. Ordem combinada. Dois times com admin pleno no mesmo período é janela de culpa dupla. Combine quem publica até que dia.
E-mail de recuperação e o domínio da casa
Se o e-mail de recuperação da BM ou da MCC é @agencia, a entrega não acabou. Troque para o domínio do cliente antes de revogar o time, ou o cliente herda uma caixa que a casa vai desligar. O inverso na entrada: não deixe o único recovery no Gmail pessoal do gestor.
Domínio da casa em Analytics, Tag Manager e Merchant Center é o mesmo buraco, menos visível. Inventário de e-mails, não só de senhas.
Fechar o contrato no ops, não só no financeiro
Financeiro baixa o cliente no ERP. Ops baixa a identidade no inventário. Os dois precisam da mesma data. Cliente “inativo” no comercial com BM viva na mesa é o incidente do trimestre.
Uma vez por trimestre, liste contratos encerrados e perfis ainda abertos. Cada linha é entrega incompleta. Custa proxy, custa risco, custa história na disputa.
A frase do rito: o cliente fica com a conta; a agência fica com o log do período e com zero sessão. Tudo o mais é variação de e-mail. E-mail sem revogação não entrega nada.
FAQ
Perguntas frequentes
Não. A senha que a agência criou se o cliente nunca teve o login. O padrão é revogar o time, garantir que o cliente é admin e invalidar sessão. Senha em texto no último e-mail é o mesmo incidente do WhatsApp, com data de distrato.
O que o contrato e a política de retenção disserem. Sem cláusula, combine com o jurídico um prazo mínimo para disputa de gasto e de acesso. Apagar no dia seguinte impede defesa. Guardar para sempre vira dado sem base.
Quase sempre do anunciante. Dataset colado no pixel da agência é o clássico de migração dolorosa. Entrega inclui quem fica dono do pixel, do CAPI e da conta de Analytics. Não deixe isso para o último call.
Registre o convite, o prazo e a recusa. Não mantenha a agência como único admin 'para não cair a campanha' depois do distrato. Único admin residual é contrato que não acabou, com outro nome.
Criativo e resultado, se o contrato autorizar. Login, cookie e export de público do anunciante, não. Entrega não é backup clandestino da BM. É corte de acesso com evidência.
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