Tráfego pago

Troca de agência: migrar ativos sem herdar o Chrome do antecessor

Troca de agência herda pixel, BM e o Chrome do antecessor. Ativo migra por contrato. Perfil de sessão nasce novo. Não leve o grafo da mesa antiga.

LauthAtualizado em 17 jul 20269 min de leitura

A agência nova herda pixel, BM e o Chrome do antecessor. Os dois primeiros são ativos. O terceiro é o grafo que ninguém pediu. O comercial vende “continuidade da conta”. A mesa antiga entrega um zip de senhas, um print de campanha e um “o cookie está no Notion”. A mesa nova cola tudo no primeiro laptop que aparecer. Três meses depois, a restrição chega com cheiro da operação anterior.

Troca de agência é migração de titularidade, não de favoritos. Contrato, inventário, convite, revogação, perfil novo. Sem essa ordem, você compra o histórico de sessão de outro time e chama isso de entrada do cliente. A página de agência de publicidade cobre o recorte comercial. Este texto é o roteiro da passagem: o que viaja, o que nasce, o que se recusa a receber.

O que é ativo e o que é lixo de sessão

Ativo: BM, ad account, MCC, Page, pixel, dataset de CAPI, catálogo, conta de anúncio no Google, tag, acesso de Analytics, criativos aprovados, nomenclatura, histórico de verba que o cliente quer manter. Tudo isso tem dono. O dono é o anunciante, salvo contrato esquisito.

Lixo de sessão: cookie exportado do Chrome da agência antiga, extensão de proxy com login compartilhado, 2FA no celular do gestor que está saindo, planilha de senha no Drive da agência antiga, perfil de antidetect “já configurado” enviado por WeTransfer, Facebook pessoal do sócio anterior ainda como admin.

A mesa nova quer velocidade. Importar cookie parece velocidade. Na prática, você importa o retrato de dispositivo, o IP antigo colado no cookie, as extensões e o hábito de quem operava. Se a conta já estava no limite, você herda o limite. Se estava limpa, você cola um segundo time no mesmo retrato sem necessidade.

Regra: ativo migra por convite e por papel. Sessão nasce vazia. Cookie só entra, se entrar, como migração controlada da própria operação — não como lembrança da agência que saiu.

Contrato primeiro, login depois

Sem cláusula de acesso, a troca vira barganha. A agência que sai segura a Page. A que entra promete campanha na segunda. O cliente aperta os dois.

O contrato de entrada precisa dizer: quem é admin da BM e da MCC, prazo de revogação da agência anterior, lista de ativos, quem paga o anúncio no período de overlap, o que acontece com pixel e com histórico. O contrato de saída da outra casa deveria espelhar. Raramente espelha. Por isso o checklist de entrega de conta existe do lado de quem devolve. Do lado de quem recebe, o espelho é a entrada do cliente.

Não comece a gastar em perfil da agência nova enquanto o admin raiz ainda é a casa antiga — salvo overlap explícito, com data de corte. Dois times no mesmo container, sem rito, é BM compartilhada com concorrente. Foi o texto anterior. Aqui o concorrente é a agência que você substitui.

Overlap de sete a catorze dias é civilizado: a casa antiga pausa o que combinou, a nova publica o que combinou, o cliente vê um dono por campanha. Overlap eterno é duas agências no mesmo pixel, mesmo lance, mesmo clique errado.

Inventário de passagem: as colunas que o zip de senha esconde

Peça por escrito, não por áudio.

Cliente (o anunciante). Identidade (CNPJ, BM, MCC, loja). Plataforma. Quem é admin hoje. Quem será admin amanhã. Pixel e dataset. Formas de pagamento. Páginas e canais. Perfis de browser da operação antiga — mesmo que você não os use, precisa saber que existiam. Último incidente (restrição, checkpoint, cartão). Datas de campanha viva.

Se a agência antiga não entrega inventário, construa o mínimo com o cliente: print de pessoas da BM, print de contas no Google, lista de pixels no site, quem recebe o 2FA. Lacuna é risco, não mistério romântico.

O onboarding de cliente de tráfego pago da casa nova começa nesse inventário. Não começa no criativo. Criativo em conta com admin errado é teatro.

Perfis novos da operação nova

A tentação é reaproveitar o “ambiente que já funcionava”. Recuse.

Crie perfil vazio pra cada identidade de risco que você vai operar. Proxy da operação nova, documentado, sticky, geo coerente. Teste leak antes do login. Convite na BM e na MCC com o usuário da agência nova — parceiro, não senha do Facebook do cliente. 2FA no cofre da casa nova. Senha fora do WhatsApp.

Não instale a extensão de proxy da casa antiga. Não importe a lista de cookies. Não abra o Facebook pessoal do time novo no perfil do cliente — isso é outro grafo, outro texto, mesmo vício.

Se a casa antiga usava antidetect, o perfil deles não é o seu. Ferramenta pode ser a mesma família. O objeto de sessão é outro. Copiar o perfil é copiar o retrato.

Histórico de atividades da operação nova começa no dia um: quem abriu, quem convidou, quem recebeu o parceiro. Quando o cliente perguntar, daqui a dois meses, quem mexeu na semana da troca, você tem arquivo. A casa antiga terá um zip. O arquivo ganha a disputa.

Pixel, CAPI e o gêmeo que o site não pediu

Agência nova adora pixel novo. “O antigo está sujo.” Às vezes está. Às vezes o time só quer dashboard próprio.

Pixel é do anunciante e do site. Duplicar evento no mesmo domínio mistura aprendizado e mistura responsabilidade. Se o pixel antigo é do cliente, peça acesso de parceiro. Se o token de CAPI estava no servidor da agência antiga, migre o endpoint, não o conceito. Dataset por anunciante. Não um dataset da agência pra todos os clientes da carteira nova.

UTM e naming: herde o dicionário se o cliente gosta dele. Não herde a planilha de senha que estava na mesma aba. Dicionário de campanha viaja. Segredo não.

Landing e criativo aprovados viajam como arquivo. Não viajam como “abre a BM antiga no Chrome da nova que está tudo lá”. Está tudo lá, junto com o admin que você deveria estar revogando.

Google, Meta e as outras mesas no mesmo projeto

A troca raramente é uma plataforma. MCC, BM, TikTok Business Center, seller, Shopify. Cada uma tem dono e convite. O erro é migrar o Meta com procedimento e o Google com o mesmo login do estagiário da casa antiga “enquanto isso”.

Priorize o que gasta. Depois o que mede. Depois o que publica. Seller e CMS, se a agência também opera, entram no inventário com o mesmo rigor. Não no Chrome da BM.

Pagamento: o cartão do cliente permanece do cliente. Agência nova que coloca o cartão próprio “pra não parar” une grafo de pagamento. Só faça com contrato e consciência. Não é detalhe de financeiro. É identidade.

O que recusar na call de passagem

Cookie em arquivo. Senha no chat. “Entra no meu AnyDesk que eu te mostro.” 2FA por foto. Perfil de browser compactado. Admin no Facebook pessoal do sócio da casa antiga “só até a Page transferir”. Promessa de que a conta “está limpa, a gente só usava o Chrome da agência”.

Mostre o caminho: convite, perfil vazio, leak, login. Se a casa antiga não consegue convidar, o ativo não está no cliente. Pare. Resolva titularidade antes de gastar.

Se a casa antiga já saiu e deixou um buraco, o cliente vira o admin temporário. Você opera com convite dele. Não com o rastro deles.

Overlap, corte e o primeiro mês

Data de corte no calendário. Quem pausa o quê. Quem responde checkpoint. Quem é o dono no Slack do cliente.

Primeira semana: não nasça conta nova pra “começar limpo” se a identidade fiscal é a mesma. Começar limpo é sessão nova e admin certo, não gêmeo. Apelação e política andam na fila delas se houver restrição herdada. Ambiente novo não apaga criativo recusado.

Primeiro mês: auditoria de pessoas nas BMs e MCCs. Nome da casa antiga ainda lá é incidente. Perfil da casa nova usado pra Facebook pessoal do gestor é incidente. Log lido na reunião de status, não só ROAS.

Criativo, catálogo e o Drive que viaja com senha

A casa antiga manda um Drive com senha na descrição do arquivo. Dentro: criativos, planilha de senha, export de cookie, print de 2FA. Recuse o pacote misturado. Peça o Drive de asset sem segredo. Segredo entra no cofre da operação nova, por convite, nunca por arquivo no chat.

Catálogo de produto: o feed é do cliente. A URL do feed que apontava pro servidor da agência antiga precisa mudar antes do corte. Senão a campanha nacional cai no dia em que eles desligam o S3. Anote no inventário: origem do feed, quem hospeda, data de corte.

Criativos aprovados no Ads Manager viajam com a conta. Não precisam do Chrome antigo. Baixe o que o cliente quer de arquivo. Não “abre a BM deles que está tudo publicado”. Abrir a BM deles é overlap sem dono.

Analytics, GTM e o token que ficou no servidor

Troca de mídia não é só BM. GTM, GA4, token de CAPI, webhook de CRM, app de comentário no anúncio. A casa antiga deixa um container GTM com as tags dela e um pixel duplicado “pra comparar”. A nova soma mais um. O site vira cemitério de tag.

Inventário de medição: quais tags, quem publica no GTM, qual dataset de CAPI, qual endpoint. Migre publicação do GTM pro cliente ou pra casa nova com permissão, não com a senha do e-mail da casa antiga. Token no .env do servidor da agência anterior: rode a troca com o time de tech do cliente. Não no Slack de tráfego.

Se a casa antiga era o app de comentário, a inbox do anúncio some no corte. Avise o cliente. Não é detalhe. É o canal que o anúncio prometeu.

As duas agências na BM ao mesmo tempo

Overlap existe. Sem rito, é BM compartilhada com concorrente.

Regras do overlap: cada campanha tem um dono. Naming deixa isso visível. Quem pausa o quê está na ata. Quem responde checkpoint está na ata. Quem não é dono não publica. Perfis de browser distintos: a casa nova não opera no perfil da casa antiga, nem por AnyDesk.

Data de corte rígida. No dia, revogação da casa antiga, confirmação em print, log na operação nova. Se a casa antiga “precisa de mais uma semana”, o cliente assina. Sem assinatura, o overlap vira moradia.

Não aceite o argumento de que o cookie da casa antiga precisa ficar até o pixel “esquentar”. Pixel esquenta com evento no site, não com Chrome alheio.

O primeiro incidente depois da troca

Vai acontecer. Restrição, cartão, criativo. A casa antiga jura que era ambiente. A nova jura que herdou política. O cliente quer um culpado.

O arquivo decide: inventário de passagem, prints de admin, data de corte, histórico de quem abriu o perfil novo. Sem arquivo, a disputa é áudio. Com arquivo, você nomeia a fila — política, pagamento, ritmo, ambiente — e trata a fila. Ambiente da casa nova, se for o eixo, se conserta com perfil e leak. Não com acusação.

Fechar a passagem

Migrar ativo é convite e contrato. Migrar Chrome é herdar grafo. A agência que entra constrói perfil novo, recusa cookie alheio, registra o corte. Continuidade de campanha não exige continuidade de sessão. Exige dono. O resto é zip de senha — e zip de senha não é passagem.

FAQ

Perguntas frequentes

Não como padrão. Cookie viaja com o retrato do dispositivo antigo. Prefira convite novo, perfil vazio, proxy documentado, login limpo. Import só existe em migração controlada de sessão da própria operação.

O cliente. A agência que sai revoga parceiro. A que entra recebe parceiro. Se a BM mora no Facebook do sócio da agência antiga, o contrato falhou meses antes.

O pixel é do anunciante. A agência nova não cria pixel gêmeo no mesmo site sem desenho. Dataset, token e acesso de parceiro se transferem. Duplicar pixel mistura evento.

Sim. A BM é o ativo. O Chrome do antecessor é o grafo de sessão dele. Operação nova, perfil novo. Não herde extensão, proxy e cookie da mesa antiga.

Data de corte, lista de ativos, quem foi revogado, quem foi convidado, prints de permissão, histórico de abertura de perfil. Sem isso, a briga vira conversa de WhatsApp.

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