Tráfego pago

Looker e relatório sem login compartilhado no Ads Manager

Relatório no Looker não precisa da senha da BM. Papel de ver separado do papel de gastar. Login compartilhado no Ads Manager é atalho que vaza.

LauthAtualizado em 27 mai 202610 min de leitura

O cliente pede transparência. A agência manda o login da BM. O financeiro pede para conferir o gasto. Alguém encaminha o mesmo login. O estagiário de BI precisa “só puxar a aba”. O mesmo login de novo. No fim do trimestre, dezessete pessoas passam pelo Ads Manager para ver um número que o Looker já tinha. A agência de publicidade que confunde relatório com permissão de gastar está pagando transparência com superfície de ataque e com clique no conjunto errado.

Este texto é o desenho chato: quem vê, quem gasta, onde mora a fonte, o que o Looker cobre, o que a API não cobre, e por que o login compartilhado no Ads Manager não é cultura data-driven. É preguiça com boa intenção.

Relatório é produto. Ads Manager é ferramenta de gasto

Looker, Looker Studio, Power BI, planilha com conector: produto de leitura. Filtro, recorte, atraso de dados, linha do anunciante. Quem entra ali não pausa campanha por acidente. Não sobe criativo. Não troca cartão.

Ads Manager, Google Ads, TikTok Ads: ferramenta de gasto. Publicar, pausar, lance, público. Quem entra ali pode custar o mês em oito minutos. Por isso quem abre o Ads e quem só vê relatório não são o mesmo papel. A reunião de quinta que “entra todo mundo na BM para acompanhar” é a reunião que treina o clique errado.

Transparência com o cliente é recorte verdadeiro no relatório. Não é admin na BM. Cliente com admin “para confiar” mistura o contrato: quem é dono da conta, quem opera, quem responde por política. Confiança se documenta. Não se resolve com senha.

Internamente a mesma lógica. Head de atendimento não precisa publicar. Precisa do número e do comentário do gestor. Diretoria não precisa do seletor de conta. Precisa do consolidado. Cada crachá que ganha login de ads sem hipótese de uso é dívida de saída.

Papéis: ver, operar, administrar

O texto de permissões por papel é o mapa. Aqui o recorte é o relatório.

Ver. Looker com dados daquele anunciante. Ou usuário visualizador na plataforma, se o contrato exigir olho no painel nativo. Sem export de público. Sem editor.

Operar. Gestor que publica e ajusta. Login próprio, não o da agência. Perfil de browser da identidade. Não o Chrome do relatório.

Administrar. Convite, faturamento, pixel, ownership. Poucas pessoas. Nunca o grupo inteiro “porque o Looker quebrou”.

O analista que monta o dashboard não precisa de operar. Precisa de fonte. Fonte é API, conector, BigQuery, planilha da conta de sistema. Conta de sistema não é o Gmail do João. João tira férias. O conector morre. O cliente acha que a agência sumiu.

Cliente no papel ver: filtro travado no anunciante dele. Painel de BI com dez clientes e um link genérico é o Chrome único do analista. O cliente A vê o ticket médio do B. Isso não é transparência. É vazamento de dado de mídia, que ainda é dado.

A fonte não pode ser a sessão do gestor

Padrão tóxico: gestor deixa o Ads aberto, analista “puxa print”, ou o conector do Looker Studio está no Google da pessoa física que opera a conta. Funciona em março. Em agosto o gestor sai. Saída revoga o e-mail. O painel do cliente vira vazio. O comercial promete “hoje ainda volta”. Volta quando alguém cola o login de novo no conector. O ciclo se alimenta.

Padrão menos ruim: conta de serviço da agência, com acesso mínimo de leitura nas contas de anúncio. Conector no projeto da agência. Documentado qual anunciante alimenta qual dashboard. Senha da conta de serviço no cofre, não no Notion.

Padrão que o anunciante grande pede: o dado cai no BigQuery dele. A agência consulta. No distrato, a agência perde a consulta. O dado não viaja no notebook do analista. Isso é mais trabalho. É o trabalho quando o contrato fala em LGPD e em devolução.

Looker Studio “grátis” com dez logins pessoais empilhados é dívida. Cada login pessoal é uma saída invisível. Inventarie os conectores como inventaria BM: dono, anunciante, último acesso, o que acontece se a pessoa sair amanhã.

O que o BI não substitui

Relatório atrasa. API quebra. Plataforma muda campo. O operador ainda precisa entrar na conta para: checkpoint, restrição, rejeição de criativo, fatura recusada, verificação de identidade. Isso não é desculpa para dar a senha ao cliente. É desculpa para ter um papel de operar com gente nomeada e um canal de plantão.

O cliente que só vê Looker e nunca vê a restrição no painel nativo precisa de alerta. Slack, e-mail, o que o SLA disser. Alerta não é “entra na BM”. Alerta é recorte: conta X, tipo de restrição, o que o time já fez. Se o único alerta é o cliente logado no admin, você treinou o cliente a ser o monitoramento. Cliente-monitor vira cliente-operador. Cliente-operador pausa o que não devia e publica o que não passou no QA.

Aprovação de criativo pode viver no Figma, no frame.io, no e-mail. Não precisa da BM. Preview de anúncio, se a plataforma exigir login, usa visualizador ou o operador mostra na call. Não manda a senha “para você aprovar aí”.

Recorte multi-cliente no mesmo Looker

Um projeto de BI para a agência. Várias fontes. Vários dashboards. O risco é o filtro que não trava.

Dashboard interno da diretoria: todos os anunciantes, gente da agência, papel interno. Dashboard do cliente: um anunciante, link próprio, usuários do cliente. Não o mesmo link com um dropdown “é só escolher o cliente”. Dropdown é fé. Fé vaza.

Campo com nome de campanha que ainda tem o código do cliente vizinho: o naming vazou. A higiene de publicação aparece no BI. Se o conjunto se chama SUL_teste_copiado_da_NORTE, o relatório entrega o incidente de graça. Naming é compliance de relatório também.

Permissão no Looker: usuário do cliente não é editor do data source. Editor do data source vê a query, às vezes a conta de serviço, às vezes outros conjuntos. Papel de ver no gráfico. Não no cano.

Quando o time interno precisa comparar anunciantes — benchmark de formato, não de marca — use agregação que o contrato permita. Comparar CTR anônimo de categoria pode. Colocar a planilha com nome das marcas lado a lado num slide que o cliente A recebe não pode. O BI facilita o pecado. O rito impede.

Login compartilhado: os custos que o ROAS não mostra

Senha única da BM no grupo: saída impossível, 2FA no bolso de alguém, clique sem autoria. O Looker não pede isso. O time pede porque “é mais rápido que explicar o dashboard”. Explicar o dashboard uma vez custa menos do que um incidente de senha.

Usuário único “agencia@” com a senha no cofre compartilhado por vinte pessoas: você nomeou o login e desnomeou as pessoas. O log da plataforma mostra a agência. Não mostra quem. Quando o cliente pergunta quem pausou, a resposta é um e-mail genérico. Isso não é operação. É névoa.

Cada pessoa com login próprio de visualizador: mais convites, mais revogação. É o custo certo. Ferramenta de ads cobra assento. Assento de ver é mais barato do que incidente de gastar. Compra que recusa assento de visualizador e aceita senha no grupo está comprando o risco invertido.

2FA no login de relatório, se existir, segue o cofre da agência. Não o SMS no grupo. Relatório não precisa de SMS. Precisa de identidade da pessoa.

Contingência quando o painel some

API da Meta muda. Token expira. Google Ads API devolve vazio. Segunda-feira o Looker está zerado. O rito não é “manda a senha no WhatsApp”.

Rito: dono da fonte verifica token. Ops verifica se a conta de serviço foi revogada por engano. Se o dado precisa sair hoje, operador nomeado abre a plataforma, exporta o recorte, sobe no dashboard como exceção, com data. Exceção tem prazo. Não vira o novo conector.

Lista de quem pode abrir a conta na contingência já existe antes da crise. Três nomes, não o grupo. Plantão sabe quem é. O cliente sabe o SLA de relatório — atraso de X horas — não um login de emergência eterno.

Não construa um “usuário de backup” com admin em todas as BMs “para o Looker”. Isso é a senha mestra com outro rótulo. Backup é token rotacionado e segunda pessoa admin da fonte, não da campanha.

Entrada e distrato do relatório

Cliente novo: dashboard vazio até a fonte existir. Não empreste o painel do cliente parecido “para ele ir vendo”. Número do vizinho é incidente. Fonte ligada, recorte travado, usuários do cliente convidados como ver. Treine o atendimento a mandar o link do Looker, não o “entra na BM”.

Cliente sai: revogue usuários do Looker no mesmo dia da BM. Revogue a conta de serviço naquela fonte. Exporte o que o contrato devolve. Arquive o dashboard. Link antigo que continua aberto é o Chrome que ninguém deslogou.

Agência nova: não herde o Looker Studio no Gmail do gestor antigo. Nasça a fonte de novo. Tokens da operação anterior são da operação anterior.

Treinar o olhar sem treinar o clique

O cliente que não entende o dashboard pede a BM. Treinar o olhar é entrada de relatório: o que cada cartão significa, atraso da API, conversão modelada versus observada, filtro travado. Uma hora. Gravação. O atendimento reenvia a gravação em vez da senha.

Workshop interno: o pleno de atendimento navega o Looker do cliente sem abrir Ads. Se não consegue responder “quanto gastamos ontem”, o dashboard falhou, não a transparência. Conserte o cartão. Não libere o seletor de campanha.

Cuidado com o “explorar”: Looker com drill-down até o nome do anúncio pode ser útil. Drill-down até o e-mail de quem clicou, se o conector trouxe, é dado a mais. Recorte o data source. Relatório de mídia não é CRM. Cliente no papel ver não vira analista de PII porque o gráfico deixou.

Export CSV do Looker para o WhatsApp do sócio: o arquivo viaja. Política de export no contrato, se o anunciante for exigente. Na agência média, ao menos a frase: não mande planilha com todos os anunciantes no mesmo arquivo. Recorte. Sempre recorte.

Token, cota e a segunda-feira vazia

Token da API expira. Cota estoura. Campo muda de nome. O roteiro de contingência já foi dito: gente nomeada, não senha no grupo. Acrescente: alerta de falha da fonte para o ops, não para o cliente, até vocês saberem se é atraso ou restrição de conta. Cliente que recebe “Looker zerado” às oito da manhã interpreta ban. Às vezes é só o conector. Diagnosticar o cano antes de acionar o SLA de conta caída poupa um teatro.

Não use o login de admin da BM como “conector de emergência” permanente. Uma extração manual, datada, como exceção. Se a API fica uma semana fora, o problema é fornecedor de dado ou permissão da conta de serviço — outro ticket. Não é convite de admin para o analista.

Conta de serviço com permissão de editor “porque o conector pediu”: leia o que o conector pede. Muitos aceitam leitura. Editor na MCC da agência para alimentar gráfico é o papel errado com desculpa de BI. Papel mínimo. Sempre.

Fechar o ciclo

Looker é o produto de ver. Ads Manager é o produto de gastar. Transparência é recorte no primeiro, não senha no segundo. Analista não precisa publicar. Cliente não precisa de admin. Fonte não pode ser a sessão de uma pessoa. Contingência é gente nomeada, não grupo com a senha “por via das dúvidas”.

A mesa que ainda entra todo mundo na BM para a reunião de resultados está usando a ferramenta mais perigosa da casa para um trabalho que o relatório já faz. Troque o hábito. O clique que sobra no Ads Manager fica com quem tem hipótese para gastar.

FAQ

Perguntas frequentes

Não. Precisa de relatório com recorte dele. Visualizador na conta, Looker, planilha conectada, o que o contrato prever. Senha de admin no grupo para “transparência” é transparência de incidente.

Não por padrão. Analista lê. Gestor gasta. Se a ferramenta de BI já traz o dado, o analista não abre o Ads Manager. Cada login a mais na BM é superfície. Superfície quer dono e revogação.

Como protótipo, talvez. Como produção, não. A fonte morre quando a pessoa sai. O cliente fica sem número. A saída vira arqueologia. Fonte da agência, usuário da agência, permissão por anunciante.

Sim, e costuma ser o desenho certo. Editor no relatório não é editor de campanha. Não traduza “o cliente quer mexer no gráfico” em “então toma a BM”. São produtos diferentes.

Aí o operador com papel de ver ou de operar abre a conta. Contingência não é senha no WhatsApp “por via das dúvidas”. É lista curta de quem pode abrir, já convidada, com log.

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